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Saudação do Bispo D. Jorge Pina Cabral - Visita do Presidente da República à Catedral de S. Paulo

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- Sua Excelência, sr Presidente da República, Professor Dr. Marcelo Rebelo de Sousa.

- sr Bispo Emérito da Igreja Anglicana do Brazil D. Almir dos Santos

- prezados membros do clero de diferentes Igrejas

-Ilustres convidados

-meus irmãos e irmãs em Cristo,

 

A visita de hoje do Sr. Presidente da República à Catedral de S. Paulo, constitui para a Igreja Lusitana um motivo de grande regozijo e de grande honra. Com efeito, é a primeira vez na já multicentenária história desta Catedral, que o mais alto dignitário da nação está presente, participando também num ato litúrgico.

A Igreja Lusitana agradece profundamente a V. Exa sr Presidente esta visita, vendo nela uma expressão de respeito e de reconhecimento por parte da primeira figura de um Estado que, sendo conceptualmente laico, reconhece o papel e a contribuição das confissões religiosas para a coesão social e a promoção dos valores de humanismo, justiça e integridade que enformam a construção da cidadania.

Desde 1880, data da sua fundação, que a Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica, tem vindo no desenvolvimento da sua missão, a servir os portugueses através das suas escolas primárias, trabalho de assistência social e solidário, e através também de um modo de estar constante e credível nas comunidades populacionais em que está inserida. Somos uma Igreja nacional profundamente inculturada na realidade social, cultural e religiosa do nosso pais.

Também e através da sua presença e identidade eclesial própria, a Igreja Lusitana tem contribuído para uma sociedade religiosamente mais plural e aberta. Com este propósito, a Igreja Lusitana foi co-fundadora em 1971 juntamente com as Igrejas Metodista e Presbiteriana, do Conselho Português de Igrejas Cristãs, o único organismo Ecuménico existente em Portugal. De então para cá, temos aprofundado a nossa vocação e compromisso ecuménico na relação e cooperação com outras Igrejas em Portugal entendendo sempre o Ecumenismo como parte integrante da Missão da Igreja e dimensão indispensável à construção de uma sociedade mais tolerante e aberta à diversidade de tradições e pontos de vista e naturalmente à unidade da própria Igreja de Cristo. Através do Conselho Português de Igrejas Cristãs a Igreja Lusitana está presente e tem colaborado com a Plataforma de Apoio aos Refugiados no acolhimento e integração de todos aqueles nossos irmãos e irmãs que vindos de outros países necessitam da nossa solidariedade humana.

Não obstante ser uma Igreja minoritária em Portugal, a Igreja Lusitana pertence desde 1980 a uma grande família eclesial que é a Comunhão Anglicana com 85 milhões de membros. Como diocese extra-provincial, sob a jurisdição metropolitana do sr. Arcebispo de Cantuária, a Igreja Lusitana é em Portugal a expressão do Anglicanismo considerado uma via média entre o catolicismo romano e o protestantismo clássico. Esta pertença a uma comunhão internacional de Igrejas presente em todo o mundo tem enriquecido a nossa visão e compreensão da Missão a que somos chamados e tem permitido um contributo lusitano para uma família de Igrejas que respeita a legítima pluralidade das culturas de cada povo que a constitui.

Atenta ao evoluir dos tempos e à crescente diversidade religiosa da sociedade Portuguesa, a Igreja Lusitana tem participado ativamente no diálogo inter-religioso nomeadamente no contexto do Alto Comissariado para as Migrações. Enquanto Igreja minoritária percebemos a riqueza própria que cada confissão ou religião contem independentemente da sua maior ou menor expressão numérica. Consideramos a presente diversidade religiosa em Portugal como uma oportunidade de trabalho conjunto na defesa dos valores que nos são comuns como a paz, a justiça, a salvaguarda da Criação de Deus e da dignidade inerente a cada pessoa. Nos conturbados tempos que vivemos as religiões não podem ser fator de desunião e muito menos berço de fundamentalismos que conduzem à violência e à destruição. As religiões são por essência caminhos para Deus e não de aniquilamento e de destruição do homem e da vida.

Sr. Presidente da República, a sua presença hoje aqui na Catedral de S. Paulo, acalenta-nos e reforça o nosso compromisso de Missão de serviço a Deus e aos homens e mulheres do nosso tempo. É uma presença tanto mais significativa quanto ocorre em pleno tempo do Advento e já em vésperas do Natal. Este é um tempo litúrgico referido a uma história da salvação que se realiza em Jesus de Nazaré e que nos envolve e compromete a cada um e a todos na construção do Reino de Deus, um Reino de Paz, de Amor e de Justiça. Pedimos a Deus que o continue a abençoar no exercício da sua função presidencial para bem de todo o povo Português.

Como expressão da nossa gratidão e reconhecimento oferecemos-lhe um livro de liturgia da Igreja Lusitana, expressão da nossa identidade eclesial e doutrinal e duas medalhas, uma alusiva ao episcopado da Igreja Lusitana e outra à nossa pertença à Comunhão Anglicana.

 

Bem haja!

Lisboa, Catedral de S. Paulo, 19 de dezembro de 2016

+ Jorge, bispo diocesano.

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