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A NOSSA VIDA E O NOSSO FUTURO DEPENDE DA SAÚDE DA CRIAÇÃO DIVINA

Reflexão sobre a criação:

Sofonias 1:7, 12-18 / 1 Tss 5: 1-11 / Gn 1.26-28 / Mateus 25:14-30

Sofonias 1: 7, 12-18:

esta passagem fala  do dia do Senhor, dia durante qual Deus fara a sua retribuição ao povo, cada um recebendo consoante suas obras enquanto estava em vida.  O vescicilo 3 indica que nada sera fora dos ancontecimentos do dia do Senhor. Os homens e os animais serão arrebatidos, os impios serão exterminados. Dia de indignação e de angustia, durante o qual a justiça sera feita não so aos homens mas também às coisas da natureza, sendo todos ( homens e natureza) criatura de Deus.

1 Thessalonicenses 5: 1-11:

esta passagem adverte o povo acerca do dia do Senhor que virá como landrão. Paulo apela à cultura do amor e da paz para alcançar a salvação durante o dia do Senhor fazendo lembrar o povo sobre uma vida futura com Cristo e junto do Cristo na eternidade. Este amor estende-se não aos homens entre eles mas também a toda a criação, todos seres criados por Deus, inclusive a nutreza dando-a um devido e adequado tratamento.

Mateus 25: 23

“Disse-lhe o Senhor: bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei, entra no gozo do teu Senhor”.  Esta passagem recorda nos a nossa responsabilidade recebida da parte de Deus como sendo gestor da criação. Temos mais uma vez aqui uma preocupação ecumenica incumbida por Deus ao homem na perspectiva da salvaguarda da criação. Esta passagem da-nos entender que só  os que farão e fazem bom uso da criação que podem alcançar a retribuição ou vantegens que se relaciona a esta missão que Deus nos proporcionou.


Falando da retribuição  que será faita não só aos homens mas também às coisas da natureza, a passagem de Sofonias 1: 7, 12-18  tem uma perspectiva ecumenica convidando os cristãos a não se considar como únicas criaturas de Deus; a sua unidade implica, pois, a da humanidade e a salvaguarada da criação. Na consumação dos tempos, não só os homens, mas toda criatura, inclusive a natureza e as coisas nela se encontram, entrarão no gozo do seu Senhor. Infelizemente, o homem despreza frequentemente a nautreza dando-a mau tratamento, considerando-se como única criatura de Deus.

A fauna e flora de certos espaços naturais em diversos países, as espécies animais, selvagens e minerais estão constantemente ameaçadas. Dia após dia, não se pará de lhes atentar, de modo deliberado, seja para atender às necessidades efémeras, seja por ignorância ou inadvertência. Face às acções humanas que ocasionam a degradação da natureza, surgiu, nos anos 1970, na Alemanhã, a ideia da consciência ecológica. Do ponto de vista teológica, esta ideia tem o seu fundamento na própria ordem de Deus dada ao homem desde a criação em Gn 1.26-28 de domimar a terra e submeter o resto da criação.

Mas, contudo, « a ideia de que o mundo existe unicamente para o homem foi rectificada pela ideia da criação, que fazia dos homens criaturas de Deus em paralela com outras »([1]). Assim, a despeito da performance tecnológica, o homem não possui o domínio completo da natureza. Neste aspecto, dominar pode significar o direito de fazer uso de maneira racional tanto quanto possível, para que os efeitos produzidos possam ter um impacto positivo agora e nas gerações vindouras. A fauna e a flora concorrem para o equilíbrio natural indispensável à vida humana.

Na origem das motivações que sucitam a protecção do meio ambiente há a pretenção tenaz do homem em exercer uma dominação sobre a natureza e o resto da criação. Com o aumento em poder das novas tecnologias, o meio natural aparece como sendo um utensílio sujeito a várias manipulações experimentais do homem. A ecologia é, na sua configuração moderna, nascida da tomada de consciência do homem dos efeitos das suas acções sobre a natureza e sobre o seu meio ambiental imediato.

Manter o seu ambiente imediato saudável e uma forma de prestar uma justiça adequada à natureza. Consequentemente, a Igreja reconhece assim o lugar iminente que o homem ocupa na criação. Por esta razão, apoiando-se sobre o conceito «dominar» no livro de Génesis, o homem se deve estabelecer uma relação de parceria com a natureza. Nós não podemos hoje conceber o nosso futuro sem a natureza, ou ainda contra ela. O sentido de `dominar´ que constitui uma hegemonia concedida por Deus ao  homem, não implica desprezar a natureza, mas antes conceber uma reação justa marcada pela reciprocidade, onde cada um dos componentes, isto é, a natureza e o homem dá e recebe do outro.

A ecologia interessa-se às condições existenciais da especie viva atribuída ao meio físico e natural em relação aos efeitos produzidos pela acção do homem sobre o meio ambiente físico e natural.

Para além das espécies vivas, o meio natural também é composto de dados inanimados indispensáveis à existência, como a água, sol, clíma, savanas, florestas, atmosféro, cujo conjunto cosntitui o que se chama o ecosistema.

A simbiose destes elementos proporciona condições com as quais não se pode utrapassar para a existência humana, mesmo das outras espécies vivas, como animais. Fala-se da ecosfera a respeito do que toca ao conjunto desse sistema em relação ao homem na terra. Dos nossos dias, «os desafios ecológicos estimulam a reflexão tanto em ciências naturais quanto nas ciências sociais e morais, e apela à inovação de modos de vida e expressões simbólicas»([2]).

Nestes dias, ninguem duvida que «graves problemas ecológicas requerem do homem uma mudança efectiva de mentalidade que induz a adptar um novo estilo de vida» ([3]). O que implica a ideia da consciência ecológica, a qual busca conciliar a ciência com a consciência. O estilo de vida que se trata é o que constitui e se trilha pela autodisciplina e por uma temperança voltada à sobriedade.

A crise ecológica, entendida como sendo a crise de dominação do homem sobre a natureza, encontra, a vista de muitos críticos, dos quais somos parte, a sua origem no relato bíblico da criação em Gn 1.28, onde Deus confere ao homem o poder de dominar toda a criação. Neste ângulo, a crise ecológica revela aspectos teológicos de modos a dar explicações novas ou a repensar o sentido bíblico de «dominar a terra».

É nesta perspectiva que através das Cinco Marcas da missão, notavelmente a quinta e última, intitulada preservar a integridade da criação, sustentá-la e renovar a vida da terra, a Comunhão anglicana concorda a repensar e redefinir a sua missão inerente aos problemas ecológicos e meio ambiente, em correlação com os precedentes quatro pontos desenvolvidos nas Cinco Marcas missionárias. A. Walls e C. Ross dissem o seguinte a este respeito:

Restabelecendo o meio ambiental e natural, as necessidades de uma comunidade de pessoas foram também atingidas, e houve a receptividade da mensagem cristã entre os aldeões. Hoje não apenas no Estado da Índia, mas através deste mundo frágil, cada uma das quatro precedentes marcas da missão deve ser reexaminada enquanto somos despertados pela verdade evidente que a natureza constitui o contexto de tudo que fizemos e somos. A Evangelização (proclamação da Boa Nova) deve se debater nas suas apologias com a acusação segundo a qual o cristianismo nada tem a dizer a respeito da maior questão de hoje, a de saber como podemos ter uma relação durável com o planeta terra. O discipulado ( ensinar, baptizar e entreter) deve se mover acima dos recusrsos relacionais do homem com Deus e com seu próximo, para incluir a nossa relação com a terra e com as outras criaturas cujo bem-estar nos é confiado.  Responder às necessidades humanas pelo serviço de amor é uma tarefa cada vez mais entregue à derrota, se nós não atacarmos as profundas causas  destas necessidades humanas. Como trabalhador humanitário em Bangladesh, Nazmul Chowdbury afirma que: esquecer-se de fazer a alteração climática um elemento pertencente à história, implica que a pobreza será permanente. Transformar as estruturas injustas da sociedade deve significar endireitar não somente as injustiças mundiais que impedem aos podres ter acesso ao desenvolvimento, mas também interrogar as nossas aspirações mesmo da evolução dos modos de vida que ora achamos insuportáveis[4].

A maioria das declarações ecuménicas de CEI move em prol da paz civil, da justiça no sentido jurídico e económico, o lugar das mulheres na sociedade e nas Igrejas, a salvaguarda da terra face às numerosas ameaças climáticas e ecológicas. Citamos rapidamente «os pobres possuirão a terra», declaração tornada pública em Junho 2006 no Brasil aquando da nona sessão da Assembleia geral da COE. O convite foi feito aos decisores políticos de todos os países do mundo inteiro a operar garantindo o bem-estar de cada cidadão, mas também da nossa «casa comum», que é a terra.

A Igreja anglicana, junto dos Estados e organizações internacionais leva apoios de urgências às populações afectadas por sinistros devido aos problemas climáticos ou ecológicos. Marjorie Murphy escreve o que se segue a respeito:

Missão e evangelização incluim resposta às situações de urgência. Houve respostas ao tsunami, bem como a reconstrução das vidas das pessoas e infraestruturas (Sri Lanka) e através de uma assistência psicológica, ajudando as pessoas a reconciliarem-se com a perda da vida e da propriedade (Melanesie). Houve resposta a terremotos (o Japão e o Paquistão). Em resposta ao furacão Katarina (USA), um casal evangelista dirige actualmente um campo de benévolo chamado «Cuzinha de Deus Katarina» que fornece mais de 1000 refeições por dia em simultâneo aos benevolentes e aos habitantes. Na maioria, senão totalmente, destas respostas às situações de urgência, as Igrejas puderam fornecer aos afectados independentemente da religião. As inundações (Bangladesh) e uma seca prolongada (Austrália) chamaram à atenção sobre a questão de aquecimento climático([5]).

A ecologia tem por finalidade, entre outras, de analisar, detectar, e de combater contra práticas que provocam o desfuncinamento do ecosistema, com vista a tomar as medidas que se impõem para a preservação da biosfera. Ela se interessa assim do homem como entidade fazendo parte da ecosfera, buscando o seu bem vital na conjugação dos elementos que proporcionam um funcionamento harmonioso ao meio natural.

Desde a aparição em 1987, «do relatório Brundtland, o futuro de todos nós (Montreal, Fleuve 1988), o debate público internacional sobre a gestão da biosfera conjuga os termos do meio ambiental e do desenvolvimento.

Dinitivamente, a Igreja tem todas razões valiosas e legitimas em se apegar, na sua missão, sobre os problemas ecológicos, bem como sobre os efeitos que geram.

A Igreja, instrumento da salvação de Deus no mundo, deve constantemente chamar os homens e mulheres a ordem a fim de bem cumprir a sua missão que eles receberam de Deus, na qualidade de gestores ou de intendentes do resto da criação. Deste modo, a  Igreja deve apelar que toda actividade de produção ansiosa da saúde ambiental deve centrar seu procedimento à volta do proveito que ela persegue, a evitar toda prática podendo alterar a vida ambiental.

A Igreja  deve, pois, procurar a discernir a desordem do homem relativamente aos desígnios de Deus, numa colocação em questão para a recomposição da sua missão no seu compromisso perante a loucura dos acontecimentos dolorosos que se produzem no mundo.

by Rvd. Dr. Mansita Sangi, Angola

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